Pesquisa evidencia o protagonismo das mulheres amazônicas na resposta à crise climática.
A publicação Dimensões de Gênero nas Mudanças Climáticas na Amazônia: Vulnerabilidade e Resiliência entre Mulheres Rurais Paraenses foi lançada na última quarta-feira, 12 de novembro, em evento paralelo à COP 30 de Clima, na Casa Niaré.

Vinculada à linha de pesquisa “Gênero e Inclusão Social” do CIFOR-ICRAF no Brasil, a pesquisa incluiu oficina de diálogo e discussão em grupos focais com 57 lideranças femininas de 27 municípios paraenses, contemplando diversidade identitária (indígenas, quilombolas, ribeirinhas, agricultoras, pescadoras) e produtiva (agricultura, extrativismo, pesca, artesanato, agroindústria comunitária).
O trabalho analisa os impactos de eventos climáticos extremos sobre os modos de vida e as atividades produtivas de mulheres rurais no Pará, bem como as estratégias adaptativas por elas mobilizadas frente aos desafios impostos pela crise climática.
O resultado da análise evidencia que a justiça climática demanda políticas públicas sensíveis ao gênero, ao território e à diversidade sociocultural amazônica. Ao mesmo tempo, revela o potencial das mulheres como agentes de transformação, capazes de articular redes de cooperação, inovar em sistemas produtivos e influenciar agendas de mitigação e adaptação.
Na avaliação de Denyse Mello, coordenadora da pesquisa no CIFOR-ICRAF Brasil, o diálogo com as lideranças paraenses possibilitou definir sete grupos de recomendações para o fortalecimento dos saberes locais até ações para a promoção de autonomia econômica e cadeias de valor mais justas.
“Ampliar o financiamento climático e incentivar a participação e formação de lideranças femininas nos temas de políticas públicas, inovação, advocacy, comunicação e defensoras ambientais é fundamental. Assim como criar e expandir fundos de apoio a inovações tecnológicas, dedicados especialmente a projetos e iniciativas conduzidas por mulheres”, afirma Denyse Mello.
Realidade Amazônica

Na Amazônia, os efeitos das mudanças climáticas têm provocado transformações significativas nos territórios rurais, alterando dinâmicas ecológicas, econômicas e sociais. Nesse contexto, as mulheres rurais enfrentam desafios complexos em suas atividades produtivas, lidando com riscos que vão desde a instabilidade climática até a exclusão de processos decisórios e de planejamento.
Segundo Denyse Mello, os resultados evidenciam o protagonismo das mulheres amazônicas na resposta à crise climática. “Indígenas, quilombolas, extrativistas, agricultoras e ribeirinhas têm desenvolvido práticas resilientes, apesar das vulnerabilidades estruturais como sobrecarga de trabalho, exclusão política e acesso restrito a recursos.
“O estudo reforça que a justiça climática está intrinsecamente ligada à justiça de gênero, e propõe a formulação de políticas públicas intersetoriais e metodologias participativas que reconheçam as mulheres como agentes centrais na construção de territórios sustentáveis e resilientes”, conclui.
Leia a publicação: https://www.cifor-icraf.org/pt-br/conhecimento/publicacao/9401/